Irrita-me a hipocrisia de alguns personagens bafientos que impregnam a atmosfera vínica transformando-o num charco podre, oportunista e perverso. Tipos ridentes que na verdade são apenas répteis que se arrastam por entre as ervas e vinhas para morder a vítima descuidada e se saciarem.

Agora está na moda comprar umas “pipas” de vinho, tomar conta delas durante um anito, tipo tamagotchi, brincando ao faz de conta de enólogos/produtores, para de seguida rotular, certificar e vender. Quanto a isso nada contra, ganham todos!

Pois bem, há cerca de meio ano um tipo do panorama vínico que sou “amigo” de Facebook há 6 anos e na qual nunca falamos tomou a iniciativa de me abordar pelo Messenger. Começou o paleio dizendo que gostava muito de ler o meu blog Desarrolhar, as minhas críticas, os posts e comentários que teço nas redes sociais e se identifica muitíssimo comigo, inclusive gostaria mesmo muito de se sentar à mesa comigo. Como é óbvio fiquei com a pulga atrás da orelha, detesto simpatias dissimuladas, e fui sempre parco nas palavras durante a conversa: em 6 anos nunca falamos nem sequer houve qualquer interacção por meio de comentários, likes, mensagens, a nível presencial sempre me ignorou…nada, zero, niente, nickles batatoides…

Depois desta graxa toda rematou dizendo que “fez” um vinho, que é uma edição muito limitada, de mil e tal garrafas, que “vai voar num ápice”, e abre uma excepção para mim na qual terei um desconto incrível de pré lançamento por um determinado valor (quase cem paus) a caixa de 6 garrafas…para aproveitar agora porque depois de certificar o vinho vai entregar a um distribuidor e o preço vai sofrer um aumento de 70%, no mínimo.

Sinceramente não fiquei minimamente interessado, por vários motivos, um deles a hipócrita abordagem inicial (espécie de vendedor de banha da cobra), não gosto de rodeios e, além disso, compro o vinho muito mais barato junto do próprio produtor que lhe cedeu o “pipo”, o verdadeiro progenitor do vinho.

Fica aqui a nota, quando me quiserem vender alguma coisa não se ponham com rodriguinhos, digam logo ao que vêm, mas sejam objectivos porque eu não sou como a maioria destes bloguetas e certos enófilos que respondem com o mesmo sibilar hipócrita.

Respondi educadamente que não estava interessado, sem qualquer tipo de justificação. E toda a simpatia inicial foi pelo ralo abaixo, desde aquele milésimo segundo após o meu desinteresse até hoje nem mais uma palavra, nem um convite para um almocinho, nem um “atchim”…Voltamos ao que éramos, apenas 2 “amigos” de Facebook sem qualquer tipo de interacção.

E lá foi ele reptilando por entre os círculos vínicos, produtores, enófilos, gastrónomos, feiras e eventos, e revistas da especialidade…

Ricardo Soares

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