Coloquei um desafio, aliar Plátanos Syrah 2013 e pernil de porco fumado assado no forno com batata assada. E devo dizê-lo que acertei na mouche…liguei imediatamente ao Joaquim Arnaud a contar o sucedido. Que harmonização fantástica, quase improvável à primeira vista.

Senti que aliei e revelei a essência primordial do vinho. O campo, a terra, os sabores fumados, a presença silvestre…(desculpem, não consigo escrever doutra forma, este é o meu modo de escrever, de transmitir a impressão subjectiva da essência das coisas. Seria uma tremenda falta de respeito para com o produtor e vinho restringir-me apenas aos vagos e vazios elementos das provas organolépticas. É a mesma coisa que falar do Oceano dizendo apenas as suas fórmulas químicas: Cl- (cloreto), Na+ (sódio), Mg2+ (magnésio), Ca2+ (cálcio)…..blá blá blá, isso interessa a alguém?)

Senti a simplicidade da terra, a identidade do Joaquim e a complexidade das várias faces do vinho. Igualmente a harmonia e os aromas que se vão revelando à medida que se rodopia o copo, a acidez vincada que transmite frescura aliada aos taninos presentes. Sem dúvida um Syrah jovial, possante e verdadeiramente surpreendente. E para o acompanhar nada melhor do que gastronomia portuguesa dos simples, um bom pernil fumado assado no forno. Uma dupla de conforto, de cores outonais, cheio de aromas e pleno de sabor.

Ricardo Soares

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