Um vinho deve avaliar-se não pelas proporções das suas particularidades, mas pelo efeito que estas produzem. Para mim um vinho fantástico não é aquele que se elogia apenas pelas propriedades organolépticas, separadamente, mas aquele cuja inteira aparência é de tal beleza que não nos permite admirar as partes isoladas. É o seu todo, são os sentimentos e emoções que nos provoca, é harmonização, é o momento, o que fica na memória…o real.

A beleza ideal de um vinho está também na simplicidade calma e serena. Sem pressas e saber deixar desenvolver o seu ciclo normal de vida.

E o Joaquim Arnaud não pensa de outra forma, não quer ser igual a ninguém: é racional e instintivo, é paciente e “teimoso”, é objectivo e prático. Por isso os seus vinhos são magnânimos e belos.

Este Joaquim Arnaud Arundel Tradition Tinto 2015 é o reflexo desta simplicidade bela e temporal. Harmonioso, atraente, de intensidade envolvente, infinitos aromas maduros que se vão revelando lentamente e um final de boca longo.
Contudo, tal como já tive oportunidade de revelar ao Joaquim Arnaud, impressionou-me imenso a cremosidade deste vinho: com presença e charme.

Para acompanhar optei nas entradas por uns Cogumelos Shitake grelhados com manteiga e no prato principal costeletas de borrego com batata assada e cebola caramelizada. Excelente pairing!

Ricardo Soares

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