Por vezes temos de ter cuidado com o que dizemos para não cairmos em exageros, no ridículo, não tornarmos as coisas com demasiados floreados e utópicas. Senão todos os vinhos que bebemos parecem a pedra filosofal…pelo que leio, por vezes dá a sensação que todos os vinhos são uma espécie de “Petrus “…

Nisso o facebook é profícuo, em exageros desmedidos e demandas surreais. Então no mundo dos vinhos nem se fala – grupos de Facebook, blogosfera, revistas de vinhos, provas organolepticas e notas, etc.

Mas o que tem tudo isso a ver com o vinho que hoje vos trago?


Bom…neste vinho apetece-me usar todos os adjetivos – positivos, claro – que ja foram descritos neste blog e todos os atributos proferidos em todas as provas que já efetuei. Tem tudo aquilo que sempre gostei nos Douro’s.

Abri o vinho num dia e bebi meia garrafa, o restante bebi passado dois dias.

No primeiro dia vieram logo as lágrimas aos olhos, tal a expressão pura com que se apresentou. Raça, potência, opulência, grande volume, óptima acidez e final longo, especiado, notas de fumados e frutas pretas, sempre em crescimento e a mostrar elegância. Adoro este tipo de perfil, para homens de barba rija. Acompanhou um javali à “Calça Curta” (espero bem que conheçam)

Quando voltei ao vinho, passado dois dias, estava igualmente um vinho envolvente, mais elegante e harmonioso, redondo, bem integrado, novamente com grande volume de boca, aromas a frutas pretas maduras, toques florais, especiarias mais doces, acidez intacta e final longo e persistente. acompanhou um ossobuco estufado com puré de batata.

Todo ele um vinho a mostrar potência aliado à elegância, a mostrar como era o Rio Douro de antigamente – bravura, firmeza e elegância.

O contra rótulo deste vinho deveria dizer o seguinte: “Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado subtil de se deixar distinguir – Paul Valéry”

Grande vinho, enorme.

Ricardo Soares

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *