“Este é um texto de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência”

Embora eu não seja escritor às vezes sinto que falo com uma personagem fictícia sobre vinhos e, às vezes, sobre arte. Duas paixões que habitam em mim. Esta personagem, tornei-a real. Até lhe dei um nome: Fátima.

Creio que ninguém a conhece, desabafa a própria que 99.9% das pessoas ligadas ao mundo dos vinhos não a conhecem pessoalmente. (Eu sou aquela percentagem do mundo dos vinhos que a conhece. Claro, não poderia ser de outra forma, foi criada por mim.)

Abordamos várias matérias ligadas aos vinhos, sobre as pessoas, lugares, metodologias, denominações, etc etc etc.

Muitas vezes falamos de Baga. Se não estou em erro falamos sempre de botânica:
ba·ga
(latim baca, -ae, baga)
nome feminino
1. [Botânica]  Pequeno fruto carnudo e sem caroço mas com sementes, de certas plantas, como o loureiro, a videira e a groselheira.

Confesso, uma baga perfeitinha até sabe a pato… (A expressão «sabe a pato» encontra-se registada por Alfredo Mendes na obra Porto: “Naçom” de Falares (Lisboa, Âncora Editora, 2010, pág. 119). Significa «reacção de alguém a quem ofereceram uma refeição»).

Sussurra a Fátima baixinho: “Sou produtora de vinhos. Faço o meu caminho, continuo o meu caminho, não participo em concursos, não envio os vinhos para jornalistas, nem sugiro as pontuações dos mesmos!”

E os bloggers, pergunto eu?
“na maior parte dos casos, vendedores de subjectividade saloia! A nova tendência de “influencers” acabam com a fruta dos produtores, há que se desvencilhar desta gente!”

Fruta? Está a falar de amostras de vinhos, correcto?
– “Sim, vinho e dinheiro”, responde… “alguns, coitados, não têm onde cair mortos, pedem dinheiro por tudo e por nada, até por uma publicaçãozinha aqui ou acolá querem dinheiro. Imagina só que até por uma merdinha de um email já se paga. Coitados, tenho pena deles, pena mesmo. Lá dou uns cem euritos para o pão, espero que não o gastem mal gasto…olha, é a lei da vida”

Mas você não frequenta as redes sociais?
– “Nas redes sociais, convenhamos, um mundo muito virtual, pessoalmente, não presto muita atenção às pessoas, mas sim ao conteúdo e forma como exprimem as suas ideias e opiniões em forma de comentário, numa plataforma, onde a liberdade de expressão, não tem fronteiras, nem qualquer proibição que iniba a socialização dos seus utilizadores! No que me diz respeito, faço-o de forma desinteressada e procuro unicamente nas minhas esporádicas intervenções, contestar demagogias saloias ou comentários falaciosos, no intuito de uma lógica de justiça esclarecedora que me habita!”


Fátima olha para o relógio e desabafa: “estou cansada, podemos continuar a conversa noutro dia?”

Ok.

Ricardo Soares

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