Caro leitor tenho uma coisa para te dizer: não consigo estar constantemente a publicar no Facebook, a falar para o YouTube nem a conferenciar via Skype.

Não consigo nem posso estar de costas erguidas quando, mesmo em confinamento, tirando as obrigações pessoais e profissionais, há um terreno com 2 hectares para tratar, vinhas com mais de 70 anos – leu bem, 70 anos – para cuidar (aproximadamente 800 litros anuais para consumo familiar), frutas e vegetais para plantar e colher, entre outras coisas…

…o ano inteiro.

Tudo trabalho manual, sem recurso a grandes tecnologias nem escravos (o único escravo sou eu), as faces encardidas, as mãos gretadas, a barba a crescer desordenada, o suor que escorre, algumas lágrimas, cortes e sangue às vezes difíceis de estancar, sempre as mesmas roupas esfarrapadas…

Bem sei que, em princípio, trabalhar a terra é para os parolos. Mas o melhor que se pode tirar dela é que chega às pessoas com melhor aspecto: a reluzir e com intermináveis aromas, sem poeira, sem bichos nem outra merda qualquer.

O vinho?

Não consigo resumir 365 dias (8,760 horas, 525,600 minutos e 31,536,000 segundos) em 2 minutos…deixo isso para os críticos de vinhos, fotojornalistas, YouTubers, bloggers e demais amantes de vinhos… Certamente saberão melhor do que eu a arte e a lei do resumo e da representação.

Este vinho apresenta defeitos e virtudes. Mas é meu. Quem rejeita o seu próprio filho criado com mais de 70 anos?

Ricardo Soares

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