Ao beber o vinho Giz branco vinhas velhas 2016 relembrei-me de um excerto do poema de Saul Dias (irmão de José Régio), in “Essência”:

“Um poema
é a pedra duma escola
com palavras a giz
para a gente apagar ou guardar…”

Faço destas palavras as minhas para definir este vinho, “apaguei-o” bebendo e guardo-o riscando nesta crónica o seu poema.

E, se o guardo é porque é um poema marcante e que se exibe delicado, elegante e vibrante a cada copo. Um vinho de grande complexidade aromática, cítrico e floral, e cheio de frescura e mineralidade. Um fantástico vinho para beber e guardar, bastante gastronómico.

Tive há pouco tempo o prazer ter um encontro e uma belíssima conversa com o Luís Gomes. Falamos sobre tanta coisa, conversas simples sobre coisas simples e complexas. Sobre o Giz e outras coisas da vida. Foi neste encontro que percebi também o amor e o suor do Luís pelo Giz.

Comecei esta crónica com Saul Dias e termino-a com um excerto do poema do seu irmão José Régio in “Poema do Silêncio”, que define muito bem o sentimento do Luís Gomes:

…”Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes…” e este giz, digo eu.

Ricardo Soares

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