Guerra Junqueiro, in ‘A Musa em Férias’, começa assim:

“Recordam-se vocês do bom tempo d’outrora,
Dum tempo que passou e que não volta mais, …”

Talvez resuma o vinho branco Boango Douro 2016 a estes dois versos.

Creio que o Hugo, ao criá-lo, também sentiu a necessidade de reviver estas memórias, memórias dum tempo que passou e que não volta mais…perdão…neste caso aquele tempo voltou, o Hugo trouxe para os dias de hoje os tempos de outrora, o tempo dos simples. Sem artifícios nem floreados. Simples, com rugas, cheiro a terra, com mãos calejadas e faces gretadas, e tudo tudo tudo redondamente simples e maduro. Vida dos simples porque tudo o resto é complexo.

Memórias que todos nós olhamos e gostaríamos de lá voltar…sem filtros nem coroas!

Vinho sumptuoso e algo mineral, com aromas a fruta madura, paladar suave e fresco, acidez vibrante e um final longo.

Sim, ainda é possível voltar aos tempos de outrora, neste vinho:

“…onde existe ainda um pálido reflexo
Do tempo que passou, e que não volta mais.”

Ricardo Soares

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