Já viram os Abibes a voar? Toca-se no céu quando se toca um corpo Sublime.

É uma espécie de homenagem que vem de longe, de outros lugares e de outros tempos: Beira Litoral, Aguim, 2009.

Já ouviram as melodias dos Abibes? Para nossa alegria às vezes vêm trazidas por um vento, sopro ou brisa.

Comigo veio como o lume, neste início do ano. Uma espécie de música a romper.

Não está ao alcance de qualquer um: poderia ter vindo de Viena na voz de um violino, de um oboé, clarinete, trompete, carrilhões e sinos, xilofone, pratos, contrabaixo, tímpanos, bombos…ou talvez tenha vindo de uma semente a brotar num vaso da minha varanda, um riso dos meus vizinhos, o pulo de um Vanellus vanellus, um lamento ou uma alegria, um batel num rio aqui perto… ou qualquer coisa em que ninguém sequer reparou (ou não percebem nada do que estou para aqui a falar)!

Comigo demorou-se como este sol de inverno neste primeiro dia de 2018, uma espécie de sol materno. E ficou comigo o resto do dia…esta música, esta ave que vem de longe.

Ricardo Soares

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